Texto do jornalista Beto Leão presidente da ABD-GO publicado dias atrás para a comemoração dos 70 anos de Glauber Rocha.
Glauber de Andrade Rocha, primeiro filho de Adamastor Bráulio Silva Rocha e Lúcia Mendes de Andrade Rocha, nasceu às 3h40 do dia 14 de março de 1939, em Vitória da Conquista, sudoeste da Bahia. O nome Glauber, dado pela mãe, é inspirado no do cientista alemão Johann Rudolf Glauber (1603-1668), que descobriu o sulfato de sódio ou "sal de Glauber". Foi criado na religião da mãe, que era convertida ao presbiterianismo por ação de missionários norteamericanos da Missão Brasil Central. Batizado na Igreja Presbiteriana, ele teve como padrinhos a própria mãe e o pastor. O pai, Adamastor, vinha de família católica. Quando Glauber, que significa “Aquele que crê”, se casou na Igreja Católica em Salvador com Helena Ignez, colega de universidade e atriz de “Pátio”.
Alfabetizado pela mãe, Glauber entrou para a escola, aos sete anos. Cursou o primário no Colégio do Padre Palmeira - instituição transplantada pelo padre Luís Soares Palmeira de Caetité (então o principal núcleo cultural do interior do Estado), em Vitória da Conquista.
Em 1947 mudou-se com a família para Salvador, onde, em 1949, seguiu os estudos no Colégio 02 de Julho, dirigido pela Missão Presbiteriana, ainda hoje uma das principais escolas da cidade, conhecido pela disciplina e rigor. Ali, escrevendo e atuando numa peça, seu talento e vocação foram revelados para as artes performativas. Recebeu educação religiosa e participou das festas e do coro do colégio, onde escreve a peça de teatro “El Hilito de Oro”, encenada pelo professor Josué de Castro e protagonizada pelo próprio Glauber, que fez o papel de um príncipe espanhol. Em 1950, ele pediu para ser transferido do internato para o externato do Colégio 02 de Julho.Em Salvador, Participou em programas de rádio, grupos de teatro e cinema amadores, e até do movimento estudantil, curiosamente ligado ao Integralismo.Em 1952, aos treze anos, Glauber participa como crítico de cinema do programa “Cinema em Close-Up”, na Rádio Sociedade da Bahia. No mesmo ano, sua irmã Ana Marcelina morre precocemente de leucemia. Nasce em seguida Ana Lúcia Mendes Rocha, irmã mais nova de Glauber. Em 1953, Glauber escreve ao tio, Wilson Mendes de Andrade, revelando o desejo de ser escritor. Lê Jorge Amado, Erico Veríssimo, clássicos da literatura juvenil e filosofia (Nietzsche e Schopenhauer). Freqüenta as matinês e lê histórias em quadrinhos. No ano seguinte, Glauber ingressa no Círculo de Estudo, Pensamento e Ação (CEPA), dirigido pelo professor Germano...
(continua amanhã)
terça-feira, 17 de março de 2009
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